XV FESCETE – FESTIVAL DE CENAS TEATRAIS

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Dia 27 – Cenas: Pare, Pense, Use Camisinha (São Vicente, SP); Arthur Decide Viver (São Vicente, SP); Sophia São Vicente, SP); Atos de Amor (Santos, SP); A Dama de Bergamota (Santos, SP).

O Grupo de Teatro Camará nos apresentou a cena Pare, Pense, Use Camisinha, trabalho realizado a pedido da Secretaria de Saúde para a campanha do uso de camisinha. A mensagem foi transmitida com momentos de comicidade, leve e bem divertida, não caindo nos clichês de cenas didáticas. É evidente a falta de experiência da maioria do elenco, mas isso não comprometeu a cena, às vezes contribuiu para boas risadas. Eu sugeri que completassem o figurino das atrizes já que os atores estavam muito bem caracterizados e com figurinos dentro do contexto, em se tratando de teatro de rua para a qual a cena foi construída. Parabéns ao grupo e ao trabalho de inclusão que o Ponto de Cultura Camará vem realizando. 

A Cia. Héterus de Teatro nos surpreendeu com o texto original de Jobson Ricciardi: Arthur Decide Viver. Uma tragicomédia que nos deixou atentos do início ao fim da apresentação. Destaco a ótima atuação de Lucas Magalhães como Arthur e Carol Marinho como a Morte. A direção do próprio autor e de Rodrigo Caesar é eficiente, podendo como Tanah sugeriu, ficarem mais atentos a comicidade das palavras e ao tempo preciso que toda piada exige. Eu sugeri que o espaço cênico fosse reduzido para dar mais dinâmica a cena evitando longas caminhadas de um objeto cênico ao outro, quebrando o rítmo do diálogo e muitas vezes interferindo na sua compreensão devido ao barulho dos sapatos. A trilha sonora criou o clima proposto pela encenação, nos remetendo a uma época passada e dando o clima certo da cena. Foi ressaltado pelo Niveo o risco de colocar uma música francesa sendo que muitos não poderiam entender o que a letra dizia. Figurinos muito bem realizados dentro do contexto. A Luz poderia ter ousado mais criando focos em cada elemento de cena, valorizando o espaço cênico. O grupo está de parabéns!

O Grupo Artístico Manamanah também veio com texto original de Ludyne Medeiros que também atuou e dirigiu a cena. O texto é fruto das inquietações da autora que pesquisou sobre pedofilia e a ressonancia que a midia dá hoje em dia ao tema. A autora nos chama a atenção para os traumas causados às vítimas de pedofilia, muitas vezes ignorada pela mídia. O relato desse trauma e as lembranças do abuso de uma adolescente de 16 anos nos emociona. Não ficou claro que a Sophia tinha 16 anos, sugeri que a interpretação da atriz buscasse mais essa idade e que também, ao recordar da infãncia quando foi violentada, mudasse a sua interpretação, nos trazendo mais dessa criança, ou seja, pontuando presente e passado através da interpretação. O mesmo deveria acontecer com o pedófilo. A sonoplastia muitas vezes atrapalhou a cena, sua operação deveria ficar mais atenta para não dar tanto volume a ponto de ficar inaudível ao que os atores estão falando. A luz muitas vezes exagera no diálogo com a cena, um momento em destaque é o do estupro, onde fica piscando sem necessidade, uma sugestão seria apenas baixar a intensidade da luz, criando uma penumbra  que deixaria a cena mais dramática. Parabéns ao grupo pela apresentação.

O Grupo Egberteatro nos trouxe Atos de Amor, inspirado nas histórias Em nome de Deus e O Seminarista. Não fugindo a sua caracteristica que é o teatro dança, o grupo mudou a imagem de Eros conhecida por todos, nos trazendo uma leitura mais endemoniada e adulta do mito, o que acabou exagerando na dose e ficando uma coisa a parte do restante. O figurino muito bem pensado e com ótimo acabamento. Os atores inexperientes devem ser melhor trabalhados para não prejudicar a cena que mais estudada promete virar um ótimo espetáculo.

Arte e Estudo desta vez veio com A Dama de Bergamota, um conto de Tennessee Williams adaptado e dirigido por Ronaldo Fernandes que ousou trabalhando com o teatro épico e o distanciamento inerente a este. O espaço cênico pensado e o deslocamento dos atores ao entrar e sair do quadrado desenhado no chão valorizou a cena e atingiu resultado que a direção buscou. O uso de microfones causou polêmica entre os orientadores. Na minha opinião mudaria apenas a forma como foram usados os microfones, trabalhando com microfonia teríamos a crítica a tecnologia de hoje que foi intenção da direção. Luz também valorizou o espaço cênico ao recortar o quadrado e destacando o momento do uso dos microfones. O elenco está ótimo, trabalhando muito bem o distanciamento proposto pela encenador.  Parabéns ao grupo.

Para mim destaco nesta noite as cenas: Arthur Decide Viver e A Dama de Bergamota.

Platão Capurro filho

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