XV FESCETE – FESTIVAL DE CENAS TEATRAIS

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CATEGORIA ADULTO

Dia 19 de junho – Cenas: Com Jeitinho … Dá ( São Vicente, SP); Corpo Frágil Lorena, SP); Corpo Bruto (Lorena, SP), Corpo Fechado (Lorena, SP); Fala Comigo Doce como a Chuva (Santos, SP).

O Grupo Viva Vida de Teatro para Afásicos apresentou Com Jeitinho… Dá, levantando a questão do descaso sofrido por portadores de deficiência e idosos no transporte urbano. Para os leigos, afasia é a perda da função de linguagem, manifestada por dificuldade de produção de fala, leitura e escrita, envolvendo uma redução da capacidade de interpretar e formular elementos linguisticos com significado. A afasia se dá em pessoas que tiveram AVC – Acidente Vascular Cerebral. O grupo emocionou quem estava presente pela energia e vontade de fazer teatro pelos participantes. A dificuldade normalmente enfrentada pelos afásicos, nos pareceu momentaneamente sanada tal disposição e garra colocada em cena. A luz foi muito bem utilizada pela direção e muitos dos atores deram banho em muitos profissionais que não sabem se colocar em focos de luz. O texto é colocado conforme o entendimento e interpretação de cada afásico e nem por isso diminuiu a sua importância e o compreensão da platéia. Tanah Correa, um dos orientadores, sugeriu que o grupo ousasse mais e eu concordo com ele. O elenco nos mostrou ser capaz de ir mais além, basta agora a direção e os profissionais da saúde que acompanham o processo desses afásicos, darem continuidade ao fazer teatral.

O Grupo Vivenciando a Arte apresentou 3 cenas: Corpo Frágil, Corpo Bruto e Corpo Fechado, baseadas no livro de Michael Cunningham, que por sua vez se inspirou no romance Mrs Dalloway de Virginia Woolf. O enredo trata da história de tres mulheres que carregam em suas vidas muitos sentimentos em comum, como a insatisfação e o fracasso. O grupo diz no projeto que “o texto está nos moldes brasileiros tradicionais, transformando linguagem americana num lindo conto de cordel, elaborando os figurinos e as músicas conforme às épocas, porém com realismos nacionalistas que incluem misturas de culturas. O cenário é típico”. Não vi nada disso na apresentação realizada no dia 19. Onde estaria o lindo conto de cordel? O figurino se perde em meio a tantos signos utilizados. Na primeira cena tentam um figurino de época que acaba brigando com a proposta da encenação de utilizar atores com malhas fazendo papel de porta, telefone, etc. O cenário típico não ví. Vi um objeto que se tranforma em vários outros: banco, cama, cozinha, cabine telefonica, forca, que também acaba não dialogando com o realismo que o grupo se propos, muito menos a mala de madeira vazada. Uma ótima idéia de cenário e objeto de cena, mas que não cabe dentro do contexto. Nas outras cenas a salada de informções, signos, etc só prejudicou a proposta. A direção precisa trabalhar mais o texto na boca dos atores. Saber que existe subtexto, entrelinhas, inflexões e desinências nas palavras é essencial na interpretação de personagens. Enfatizar substantivos e verbos conforme o que se quer dizer é básico no teatro. Fora isso, ficamos com uma superinterpretação que não convence nem mesmo o mais leigo do público. 

O Grupo Arte e Estudo apresentou Fala Comigo Doce Como a Chuva de Tennessee Willians. Os três orientadores concordaram com a luz muito bem aproveitada limitando o espaço e valorizando a cena. O som de chuva não funcionou e deve ser repensado pela direção e sonoplastia. Figurino (Paola Caruso) e cenário (Marco França e Renato Fernandes)muito bem pensado ajuda na cena mais íntima dos personagens. A discordância entre os orientadores foi quanto ao movimento excessivo do ator (Vinicius Cesar) deitado na cama no momento de monólogo da personagem feminina. Eu achei excessivo, sugerindo a direção que deixasse o ator sem muitos movimentos. Outra discordância entre os orientadores foi o texto falado pelo ator, eu achei que em alguns momentos ele super interpretou, dando inflexões equivocadas, porém isso não tirou o seu mérito que pra mim, foi o melhor ator da noite, assim como a atriz (Flávia Simões), direção, luz e cena (Marco França).

Platão Capurro filho

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